terça-feira, 13 de janeiro de 2015

No rumo das aves migratórias

Impulsionadas por fatores biológicos e ambientais, milhares de aves deixam anualmente suas áreas de reprodução e migram, percorrendo longas distancias para garantir a sobrevivência da espécie. Muitas se hospedam no Brasil.

     Todos os anos, o trinta-réis-ártico (Sterna paradisuea), uma avezinha preta e branca, com pouco menos de 40 centímetros, realiza um longo vôo de pólo a pólo. Durante nove meses, ele percorre mais de 20 000 quilômetros, do Circulo Polar Ártico até o limite da Antártica, e retorna, então, ao ponto de partida. Campeão absoluto entre as aves migrantes de longo percurso, o trinta-réis é seguido de perto, nessa maratona aérea, pelo batuiruçu (PIuvialis dominica). Este viaja 12 000 quilômetros, a uma velocidade de até 90 quilômetros por hora. desde o Pólo Ártico até os pampas argentinos. Como essas, milhares de aves de diferentes espécies, deixam seus lugares de origem, quando o inverno se aproxima no Hemisfério Norte, à procura de alimentos e temperaturas mais elevadas. Das cerca de 10 000 espécies que existem no mundo, mais de um terço migra, em maior ou menor grau, o que abrange dezenas de bilhões de aves em busca da sobrevivência.
     Esse fenômeno é mais pronunciado no Hemisfério Norte, quando as aves cruzam a linha do Equador dirigindo-se para as áreas tropicais e subtropicais da América do Sul, África e Oceania, viajando sobre mares e desertos, picos nevados e grandes cidades. enfrentando tempestades, furacões e nevoeiros. Esse é o caso das mais de 6 milhões de andorinhas-azuis (Prognesubis) que todos os anos, no outono, batem asas do Canadá, Estados Unidos e norte do México e parte delas vem desembarcar no interior de São Paulo. Também um número incontável de maçaricos-brancos (Calidris alba), que se reproduzem na região ártica e cumprem uma rota migratória anual rumo à Terra do Fogo, costumam parar para um merecido descanso na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, onde se deliciam com moluscos e pequenos crustáceos. Ou então, na Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul.
     Desde 1983, os arranha-céus paulistanos abrigam, de outubro a fevereiro, um hóspede ilustre que vem da Groenlândia: o falcão peregrino (Falco peregrinus), ave rara com menos de 1000 exemplares catalogados no mundo. Pela dimensão do território brasileiro, a chegada de diversas aves migratórias pode passar despercebida para a maioria da população, até porque as condições geográficas não favorecem grandes concentrações num único ponto. Mesmo assim, sabe-se que o país recebe todos os anos cerca de 123 espécies visitantes de longo percurso que aqui desembarcam para férias forçadas. Trata-se de um número expressivo se comparado com o número de espécies — 1 1620 — que compõem a avifauna nacional.Esses hóspedes emplumados não vêm apenas do norte. Cerca de 37% das aves que visitam o Brasil migram no sentido sul-norte. No outono, por exemplo, o andorinhão-das-tormentas (Oceanites oceanicus), deixa os ninhos no limite do continente antártico para alcançar o Norte do Canadá e nesse percurso pousa em alguns trechos do litoral verde-amarelo. Na mesma época, bandos de biguás (Phalacrocoracx olivaceus) fogem da Argentina para aterrissar no Pantanal ou nos lagos do Sul. Para a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, convergem periódicamente mergulhões, biguás e diferentes espécies de marrecas.Diante desse surpreendente trânsito nos céus do planeta, é de se perguntar qual o motivo de tantas idas e vindas de aves, apesar dos inúmeros perigos que enfrentam no caminho. Os cientistas atribuem o fenômeno da migração ou invernada tanto a fatores endógenos — que se originam no próprio organismo da ave quanto exógenos provocados pelo ambiente. Sabe-se, por exemplo, que as aves dispõem de um ritmo interno fixo, diário, por isso chamado circadiano e de um ritmo anual, denominado circanual.Tais ritmos biológicos sofrem alterações conforme a duração maior ou menor de dias e noites que varia com as estações do ano.
     No inverno, por exemplo, as noites são mais longas. Em função disso, o organismo tem que passar por ajustes metabólicos, e quem os efetua é a glândula hipófise, depois de receber ordens do hipotálamo. Dessa forma, as aves sabem que o inverno se aproxima e é hora de migrar. E haja fôlego para voar milhares e milhares de quilômetros sem escalas. Isso só é possível porque a hipófise dá uma força, ativando funções hormonais que produzem uma camada de gordura debaixo da pele das aves, proporcionando-lhes o combustível necessário. No caso das aves que fazem voos muito longos, sem paradas, essa gordura chega a representar mais da metade do peso total de seu corpo. Os maçaricos, por exemplo, são mais resistentes que outras espécies de aves e aumentam em até 6% seu peso/dia. reabastecendo seus tanques de combustível rapidamente. Se de um lado essas gordurinhas a mais fornecem energia de outro representam rica fonte de alimentos. Por esse motivo e porque estão cansados da longa viagem, alguns tipos de maçaricos, como os que pousam no litoral paraense, popularmente chamados de pirão gordo, acabam se transformando em presa fácil dos pescadores, que os capturam com redes como se fossem peixes. Estudos mostram cálculos interessantes sobre o rendimento dessas reservas de gordura. Um beija-flor americano, por exemplo, que pesa 2,5 gramas, se ganhar mais 2 gramas de gordura, é capaz de voar durante 26 horas, percorrendo uma distância de 976 a 1040 quilômetros, sem parar.

     No interior paulista, hóspedes tradicionais
     Em meados de outubro, em plena primavera, as árvores das praças de cidades como São José do Rio Preto, Barretos, Rio Claro, Ribeirão Preto e Araraquara, recebem hóspedes internacionais: as andorinhas-azuis norte-americanas, que tradicionalmente passam férias no interior paulista. Elas gostaram tanto da hospitalidade brasileira, que é cada vez maior o número dessas aves na região de São José do Rio Preto. Há vinte anos, elas não passavam de 6 000. Mas, em 1985, cerca de 70 000 andorinhas azuis estiveram por lá. Dois anos mais tarde, as concentrações atingiram 120 000 pássaros. Entretanto, no ano passado, as condições meteorológicas não ajudaram as andorinhas que viajavam em direção à América do Sul. Os furacões que se abateram sobre a América Central e o Caribe aniquilaram boa parte delas e a população migrante não ultrapassou 15 000 aves.



Questionário

1- Por que as aves migram?

2- Em que região do mundo o fenômeno da migração das aves é mais pronunciado?

3- O que as aves enfrentam quando cruzam a linha do equador dirigindo-se para áreas tropicais e subtropicais?

4- Quais são os lugares de origem das andorinhas-azuis?

5- O que os maçaricos-brancos costumam fazer durante sua longa viagem migratória?

6- De onde vem e para onde migra o falcão peregrino? Por que ele é uma ave rara?

7- As pessoas também migram. Para você, quais seriam os motivos para as pessoas migrarem?

8- Você conhece alguma pessoa que migrou? Se sim, você imagina qual é o motivo da migração?




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Curiosidades

1-     Um crocodilo não pode pôr a língua para fora.

2-     O coração do camarão está em sua cabeça.

3-     Em um estudo com 200.000 avestruzes durante um período de 80 anos, ninguém relatou um único caso em que uma avestruz enterrou a cabeça na areia, ou tentou fazê-lo.

4-     É fisicamente impossível para os porcos olharem para o céu.

5-     Se você espirrar muito forte, você pode fraturar uma costela.

6-     Ratos se multiplicam  tão rapidamente que em 18 meses, dois ratos podem ter mais de um milhão de descendentes.

7-     Usando fones de ouvido por apenas uma hora você pode aumentar as bactérias em seu ouvido em 700 vezes.

8-     No curso de uma vida média, durante o sono você pode comer cerca de 70 insetos variados e 10 aranhas, ou mais.

9-     Urina do gato brilha quando exposta à luz negra.

10-  Elásticos duram mais tempo quando refrigerados.

11-  O tubarão é o único peixe conhecido que pode piscar com os dois olhos.

12-  Um gato tem 32 músculos em cada orelha.

13-  O olho de um avestruz é maior do que seu cérebro.

14-  A lula gigante tem os maiores olhos do mundo.

15-  A maioria das pessoas adormece em sete minutos.

16-  O talco é encontrado em rochas e em bebês.

17-  Quando as pessoas correm em círculos nós dizemos que eles são loucas. Quando os planetas fazem isso nós dizemos que eles estão em órbita.

18-  Para a maioria das pessoas soluções são as respostas encontradas. Mas, para os químicos soluções são coisas que ainda estão misturadas.




sábado, 1 de novembro de 2014

Ciclo das Rochas

                                                             


      A crosta do nosso planeta começou por ser rocha em fusão. Vista do espaço, a Terra primordial era uma espetacular bola incandescente. E quando a brilhante camada externa começou a solidificar iniciou-se o ciclo das rochas. Um ciclo que continua ao longo dos tempos até hoje quatro bilhões de anos depois.
      No princípio, todas as rochas da Terra eram ígneas (ou magmáticas). Os vulcões dão origem ao processo mais espetacular de formação de rochas ígneas hoje. Os vulcões trazem a rocha à superfície tanto no ar como debaixo de água, sob a forma de magma a rocha em fusão.
      Por vezes, o magma não chega à superfície. A estas massas de rocha em fusão que arrefecem em profundidade os geólogos chamam de rochas intrusivas para distingui-las das originadas pelos mais visíveis e extrusivos fluxos de lava.
      Como se forma em profundidade podem passar milhões de anos até que o material por cima dela seja elevado e erodido. Mas, com tempo suficiente as rochas intrusivas podem ficar a descoberto e criar paisagens notáveis como o Monte Rushmore no Dakota do Sul (EUA) ou a Stone Mountain na Geórgia (EUA) ou os picos mais altos das Montanhas Rochosas no Colorado (EUA). A Torre do Diabo no Wyoming (EUA) é um exemplo clássico de vulcão que não chegou a emergir. O magma penetrou centenas de metros no arenito mais superficial e depois arrefeceu sem chegar à superfície. À medida que arrefecia, apareceram longas fendas verticais devidas à contração.
      Hoje, milhões de anos depois, o arenito desapareceu por erosão deixando à vista um local espetacular para “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”.
      Depois das rochas ígneas se formarem e ficarem expostas aos efeitos da erosão pelo vento, chuva, calor e frio, pequenas lascas e pedacinhos partem-se e são arrastados para o mar ou para o fundo de rios e lagos. E, dado tempo suficiente, grandes depósitos de sedimentos camada sobre camada de fragmentos de rochas ígneas podem ser enterrados, “cozidos” e transformados de novo em rocha. As rochas formadas por esse processo são chamadas de rochas sedimentares. Com o tempo, a areia da praia pode ser enterrada debaixo de sedimentos profundos.
      A pressão e o calor do interior da Terra juntamente com os minerais depositados pela água cimentam os grãos, formando uma rocha chamada arenito. Quando voltam à superfície, os arenitos voltam a ser erodidos e os seus grãos vão ser transportados de novo para outra praia. Muitos dos grãos de areia da nossa praia favorita já estiveram em outras praias no passado distante.
      Os organismos vivos também contribuem para as rochas sedimentares. As plantas morrem e as suas folhas, caules e troncos acumulam-se e formam camadas de carvão.
      Os microrganismos do oceano morrem e os seus esqueletos juntam-se ao material do fundo do mar material esse que eventualmente vai se transformar em rocha sedimentar a que chamamos calcário.
      O arenito, o xisto argiloso e o calcário são as formas mais comuns de rocha sedimentar.
      As rochas ígneas e sedimentares são constantemente recicladas. Na superfície, são erodidas e formam novos sedimentos. Mas, se forem enterradas em profundidade podem ocorrer alterações ainda mais interessantes. O calor, a pressão e o tempo podem fazer com que os átomos de uma rocha se rearranjem em novos materiais mais densos. A grafite converte-se em diamante se estiver enterrada a 160 quilômetros de profundidade. As rochas que foram alteradas depois da sua formação são chamadas rochas metamórficas. Estas rochas contam histórias fantásticas sobre as condições nas profundezas da Terra. Sob a coação da colisão das placas tectônicas camadas de calcário transformam-se em mármore enquanto que o xisto argiloso se transforma em xisto e em cristais de granada e outros minerais de altas pressões.
      Quando estes materiais chegam à superfície começam a sofrer erosão e a formar novos sedimentos e o ciclo inicia-se novamente.

Densidade Demográfica


1º A população do mundo cabe na cidade de São Paulo?



                                                                                              Fonte Data Folha

      Vamos então fazer as contas. O mundo tem atualmente 7,1 bilhões de habitantes. A cidade de São Paulo tem uma área de 1.552,986 km2 ou 1.552.986.000 m2 (um bilhão e quinhentos e cinquenta e dois milhões e novecentos e oitenta e seis mil metros quadrados). Fazendo a divisão, temos 4,7 pessoas por metro quadrado. Se pusermos estas pessoas em pé, uma bem do lado da outra, como em um show de um cantor popular ou no réveillon de Copacabana, poderíamos sim colocar toda a população mundial, metro por metro, na área da cidade de São Paulo (inclusive nos morros, no rio Tietê, no parque do Ibirapuera, no aeroporto de Congonhas, na represa de Guarapiranga, etc.). Mesmo que a população mundial aumente para 14 bilhões de habitantes ainda caberia na cidade de São Paulo se todas ficassem juntinhas (9 pessoas por metro quadrado) como no metrô, em horário de pico. Portanto, os céticos estão certos, pois toda a população mundial caberia na vertical, ombro a ombro, no território paulistano.
      Cada pessoa precisa de uma cama para dormir, se possível um quarto, no mínimo, poderia compartilhar um banheiro, uma cozinha, uma sala, uma dispensa, etc. Ou seja, as pessoas precisam de moradia e toda construção ocupa espaço. As pessoas também precisam de escola, hospitais, mercadinhos ou supermercados, farmácias, lojas diversas, áreas de lazer, ruas, estradas, etc. Ainda tem a energia proveniente das refinarias, do carvão, dos lagos das hidrelétricas, dos insumos agrícolas para o biocombustível, etc.
      O mundo tem 510 bilhões de km2 de área total, sendo 148,9 bilhões de km2 de terra e 361,1 billhões de km2 de água. Portanto, a densidade demográfica é de menos de um habitante por km2 no mundo, mas como vimos, nem toda área terrestre é habitável ou pode ser usada para agricultura e pecuária. Também devem existir áreas destinadas à preservação florestal e à biodiversidade.

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2º Quando um evento reúne uma multidão, surge logo a estimativa do número de pessoas presentes. Quase sempre, quem promove o evento superestima o público presente, se não existir controle de bilheteria ou de portaria.
     A suspeita de números inflacionados fez-me desenvolver estudo da área ocupada por uma pessoa adulta, em formação semelhante à do desenho abaixo:

      Verifica-se que cada um ocupa 0,184m² (0,36m x 0,51m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,184 nos indicará o limite da ocupação, em formação militar ou de passeata.
      No extremo da compactação, como no desenho a seguir, cada um ocupa 0,070m² (0,18m x 0,39m). Uma simples divisão da área (em m²) por 0,070 nos indicará o limite da ocupação.


      A grosso modo, pode-se dizer que, em formação de desfile militar ou de passeata, acomodam-se 6 pessoas por metro quadrado e, em formação compacta (no corredor de um ônibus lotado, por exemplo), 14 pessoas por metro quadrado.


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Um estudo de caso
      Promotores de uma aglomeração carnavalesca alardeavam que estavam reunindo 20.000 foliões na entrequadra da 203-204 Sul, em Brasília. Fui conferir, com a ajuda de foto de satélite, graças ao Google Earth, que a área tem 2.945m² (veja a ilustração abaixo) e que, totalmente tomada, não suportaria além de 16.000 pessoas (2.945÷0,184). As imagens do evento e as observações "in loco" fizeram-me concluir que em nenhum momento a concentração de público atingiu um quarto disso (4.000 pessoas). É bem verdade que, a julgar pela destruição e sujeira deixadas na área, poder-se-ia imaginar que por ali passou uma horda de cinqüenta mil hunos!


Curiosidade

      Sabendo que é possível espremer 14 pessoas em uma área de 1m², podemos imaginar que é teoricamente possível espremer a população mundial (7 bilhões de pessoas) em um quadrado pouco maior do que a cidade de Brasília, pois 7 bilhões ÷ 14 = 500 milhões de m², equivalentes a um quadrado com 22.360m de lado:


      Alguém me perguntou se a população do planeta caberia no estado de Sergipe. A resposta está no item anterior: se a população mundial cabe na cidade de Brasília, muito mais folgadamente cabe no estado de Sergipe, que tem a superfície de 21.910km² = 21,91 bilhões de m². Os 7 bilhões de terráqueos se acomodariam em Sergipe à razão de 0,3195/m², ou pouco menos de 32 para cada 100m², o que significaria uma fileira em que as pessoas estariam a quase 2m de distância uma da outra:


      Por ocasião do réveillon de 2013 (31/12/2012) e da visita do Papa Francisco ao Rio (julho/2013) perguntaram-me se a Praia de Copacabana comportaria 2 milhões ou 3 milhões de pessoas. Eu fui medir a extensão das areias de Copacabana e cheguei à área de 480.000m². E a resposta é sim. A área comporta a aglomeração de 3 milhões de pessoas, com uma densidade de pouco mais de 6 pessoas por m² (densidade de passeata). E, se a multidão tomar também as calçadas e o asfalto da orla, poderemos concentrar ali mais de 4 milhões de pessoas, considerando que a avenida inteira tem cerca de 240.000m² (algo próximo de 4.000m de comprimento x 60m de largura). O que perfaz a superfície de 720.000m² e a capacidade de 4.320.000 pessoas, à densidade de 6/m². Observe-se a ilustração do levantamento da superfície da praia e da avenida:


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Fontes:

- http://www.ecodebate.com.br/2012/08/15/a-populacao-do-mundo-cabe-na-cidade-de-sao-paulo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

- http://ghiorzi.org/aglom.htm

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alarmismo ambiental e consumo

05/09/2012 - Veja - 2012

    Muitos previram o fim do mundo nos últimos 200 anos. Thomas Malthus (1766-1834) falava em risco de catástrofe humana. Para ele, como a população crescia em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética, a fome se alastraria. Assim, para controlar a expansão demográfica, Malthus defendia a abstinência sexual e a negação de assistência à população em hospitais e asilos. O risco foi superado pela tecnologia, que aumentou a produtividade agrícola.
    Hoje, o alarmismo vem de ambientalistas radicais. A catástrofe decorreria do aquecimento global causado basicamente pelo homem, via emissões de dióxido de carbono. Em 2006, o governo britânico divulgou relatório de grande repercussão, preparado por Sir Nicholas Stern, assessor do primeiro-ministro Tony Blair. Stern buscava alertar os que reconheciam tal aquecimento, mas julgavam que seria um desperdício enfrentá-lo. O relatório mereceu dura resposta de Nigel Lawson, ex-ministro de Energia e da Fazenda de Margaret Thatcher, hoje no grupo dos “céticos”, isto é, os que duvidam dos ambientalistas. No livro An Appeal to Reason (2008), Lawson atribuiu objetivos políticos ao documento, que não teria mérito nas conclusões nem nos argumentos.
    Lawson afirma que o aquecimento não tem aumentado desde a virada do século e que são comuns oscilações da temperatura mundial. Há 400 anos, o esfriamento conhecido como “pequena era do gelo” fazia o rio Tâmisa congelar no inverno. Mil anos atrás, bem antes da industrialização – que se diz ser origem da mudança climática –, houve um “aquecimento medieval”, com temperaturas tão altas quanto as atuais. “Muito antes, no Império Romano, o mundo era provavelmente mais quente”, assinala. De fato, sempre me chamou a atenção o modo de vestir de gregos e romanos, que aparecem em roupas leves em pinturas da Grécia e de Roma antigas. Nunca vi um deles metido em pesados agasalhos como os de hoje.
    Entre Malthus e os ambientalistas, surgiram outros alarmistas. Em 1968, saiu o livro The Population Bomb, do biologista americano Paul Eherlich, no qual o autor sustentava que o tamanho excessivo da população constituiria ameaça à sobrevivência da humanidade e do meio ambiente. Em 1972, o Clube de Roma propôs o “crescimento zero” como forma de enfrentar a exaustão rápida de recursos naturais. Erlich defendia a redução do crescimento populacional; o Clube de Roma, a paralisia do crescimento econômico. Nenhum dos dois estava certo.
    Em artigo na última edição da revista Foreign Affairs, Bjorn Lomborg, destacado “cético”, prova o enorme fracasso das previsões catastróficas do Clube de Roma. Dizia-se que em uma geração se esgotariam as reservas de alumínio, cobre, ouro, chumbo, mercúrio, molibdênio, gás natural, petróleo, estanho, tungstênio e zinco. As de mercúrio, então sob forte demanda, durariam apenas 13 anos. Acontece que a inovação tecnológica permitiu substituir o mercúrio em baterias e outras aplicações. Seu consumo caiu 98%; o preço, 90%. As reservas dos demais metais aumentaram e outras inovações reduziram sua demanda. O colapso não ocorreu.
    Como o Clube de Roma pode ter errado tanto? Segundo Lomborg, seus membros desprezaram o talento e a engenhosidade do ser humano e “sua capacidade de descobrir e inovar”. Se as sugestões tivessem sido acatadas, meio bilhão de chineses, indianos e outros teriam continuado muito pobres. Lomborg poderia ter afirmado que o Brasil estaria mais desigual e não haveria a ascensão da classe C.
    Apesar de tais lições, volta-se a falar em limites físicos do planeta. Na linha do Clube de Roma, defende-se o estancamento da expansão baseada no consumo de bens materiais. Se fosse assim, inúmeros países seriam congelados em seu estado atual, sem poder reduzir a pobreza nem promover o bem-estar.
    Mesmo que o homem não seja a causa básica do aquecimento, é preciso não correr riscos e apoiar medidas para conter as emissões. Mas também resistir a ideias de frear o consumo. Além de injusta, a medida exigiria impossível grau de coordenação e renúncia ou um inconcebível comando autoritário. Desprezaria, ademais, a capacidade do homem de se adaptar a novas e desafiantes situações.

                                                                                                      Maílson de Nóbrega

Questionário

1- Hoje em dia que pessoas são a causa do alarmismo ambiental? E do que decorreria a catástrofe?

2- Explique o pensamento de Thomas Malthus, quais seriam as causas e as consequências do que ele acreditava? O que ele defendia?

3- Porque o pensamento de Thomas Malthus foi superado?

4- Quem é Nigel Lawson? Quais são seus argumentos?

5- Você concorda com os argumentos de Lawson? Explique.

6- Entre Malthus e os ambientalistas, surgiram outraos alarmistas. Quem são e o que defendiam?

7- O que Bjorn Lomborg provou?

8- Segundo Lomborg, como o Clube de Roma pode ter errado tanto?

9- No texto cita-se o grupo dos céticos, o que você conclui que esse grupo defende?

10- Qual é conclusão  do autor do texto?

11- Qual é a sua conclusão ao ler o texto?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Desenhos com o tema "Forças da Natureza" das 5º séries

                                     Desenho de Isabela Zampaulo (5ºB)    
                                    Desenho de Isabela Zampaulo (5ºB)
                            Desenho de Laura, Glaúcia e Bárbara (5ºA)

Questionário Guerra Fria


1- Guerra Fria foi o nome dado a um conflito após a Segunda Guerra Mundial (1945) envolvendo dois países que adotavam sistemas político-econômicos opostos: capitalismo e socialismo. Os dois países protagonistas da Guerra Fria são:

a) Estados Unidos e Japão.
b) Inglaterra e União Soviética.
c) União Soviética e Itália.
d) Alemanha e França.
e) Estados Unidos e União Soviética.



2- Discorra sobre as principais características da Guerra Fria.


3- (FMU-SP) O Pacto de Varsóvia, criado em 1955 e extinto em 1991, teve como principal objetivo:

a) Reunir os países socialistas como a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental contra a OTAN.
b) Consolidar a influência soviética sobre os países da Europa Oriental.
c) Conter a influência soviética sobre os países da Europa Oriental.
d) Consolidar a influência socialista na Europa Ocidental.
e) Consolidar a influência capitalista na Europa Oriental.



4-(TERESA D’ÁVILA) A “Guerra Fria” foi a expressão utilizada para caracterizar um tipo de política externa decorrente da:

a) Polarização do mundo em dois blocos político-militares, entre as duas guerras mundiais.
b) Polarização do mundo em blocos interessados na exploração e posse da Sibéria.
c) Polarização do mundo em dois blocos político-militares, após a Segunda Guerra Mundial.
d) Polarização do mundo em dois blocos liderados pela Alemanha, Itália e Japão de um lado e a Inglaterra, Rússia, Estados Unidos e França de outro.
e) A disputa das áreas árticas e antárticas, após a Segunda Guerra Mundial.



5- Quais os dois blocos militares que se formaram durante a Guerra Fria e quais países os lideraram?

a) OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (liderada pelos Estados Unidos) e Pacto de Varsóvia (liderada pela União Soviética).
b) OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (liderada pelos Estados Unidos) e Benelux (liderada pela Bélgica).
c) Pacto de Varsóvia (liderada pela União Soviética) e Tríplice Aliança (liderada pela Alemanha).
d) Tríplice Entente (liderada pelo Reino Unido) e OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte (liderada pelos Estados Unidos).



6- (Cesgranrio 94) Marque a opção que apresenta um acontecimento relacionado com as origens da Guerra Fria:

a) Construção do Muro de Berlim (1961).
b) Intervenção militar norte-americana no Conflito do Vietnã (1962).
c) Criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte, OTAN (1949).
d) Eclosão da crise dos mísseis em Cuba (1962). 

e) Invasão da Baía dos Porcos (1961).


7- Foi uma verdadeira histeria anticomunista nos Estados Unidos na década de 5 caracterizada pela perseguição a artistas, intelectuais e políticos com a criação das Listas Negras e a Caça às bruxas:

a) Doutrina Monroe.
b) Doutrina Truman.
c) New Deal.
d) Watergate. 

e) Macartismo.


8- (FUVEST) Qual das seguintes afirmações explica, sucintamente, o fim da URSS?

a) O regime entrou em colapso porque os dirigentes estavam desmoralizados, desde as denúncias de Kruchev no XX Congresso do Partido.
b) O regime deixou de ser sustentado pelo Exército, adversário tradicional do Partido Comunista.
c) A vitória militar dos EUA na Guerra Fria tornou inviável a manutenção do regime.
d) O colapso do regime deveu-se à crise generalizada da economia estatal, combinada com o fracasso da abertura controlada de Gorbachev.
e) Os líderes soviéticos abandonaram a crença no socialismo e decidiram transformar a URSS em um país capitalista.