sábado, 1 de novembro de 2014

Ciclo das Rochas

                                                             


      A crosta do nosso planeta começou por ser rocha em fusão. Vista do espaço, a Terra primordial era uma espetacular bola incandescente. E quando a brilhante camada externa começou a solidificar iniciou-se o ciclo das rochas. Um ciclo que continua ao longo dos tempos até hoje quatro bilhões de anos depois.
      No princípio, todas as rochas da Terra eram ígneas (ou magmáticas). Os vulcões dão origem ao processo mais espetacular de formação de rochas ígneas hoje. Os vulcões trazem a rocha à superfície tanto no ar como debaixo de água, sob a forma de magma a rocha em fusão.
      Por vezes, o magma não chega à superfície. A estas massas de rocha em fusão que arrefecem em profundidade os geólogos chamam de rochas intrusivas para distingui-las das originadas pelos mais visíveis e extrusivos fluxos de lava.
      Como se forma em profundidade podem passar milhões de anos até que o material por cima dela seja elevado e erodido. Mas, com tempo suficiente as rochas intrusivas podem ficar a descoberto e criar paisagens notáveis como o Monte Rushmore no Dakota do Sul (EUA) ou a Stone Mountain na Geórgia (EUA) ou os picos mais altos das Montanhas Rochosas no Colorado (EUA). A Torre do Diabo no Wyoming (EUA) é um exemplo clássico de vulcão que não chegou a emergir. O magma penetrou centenas de metros no arenito mais superficial e depois arrefeceu sem chegar à superfície. À medida que arrefecia, apareceram longas fendas verticais devidas à contração.
      Hoje, milhões de anos depois, o arenito desapareceu por erosão deixando à vista um local espetacular para “Encontros Imediatos do Terceiro Grau”.
      Depois das rochas ígneas se formarem e ficarem expostas aos efeitos da erosão pelo vento, chuva, calor e frio, pequenas lascas e pedacinhos partem-se e são arrastados para o mar ou para o fundo de rios e lagos. E, dado tempo suficiente, grandes depósitos de sedimentos camada sobre camada de fragmentos de rochas ígneas podem ser enterrados, “cozidos” e transformados de novo em rocha. As rochas formadas por esse processo são chamadas de rochas sedimentares. Com o tempo, a areia da praia pode ser enterrada debaixo de sedimentos profundos.
      A pressão e o calor do interior da Terra juntamente com os minerais depositados pela água cimentam os grãos, formando uma rocha chamada arenito. Quando voltam à superfície, os arenitos voltam a ser erodidos e os seus grãos vão ser transportados de novo para outra praia. Muitos dos grãos de areia da nossa praia favorita já estiveram em outras praias no passado distante.
      Os organismos vivos também contribuem para as rochas sedimentares. As plantas morrem e as suas folhas, caules e troncos acumulam-se e formam camadas de carvão.
      Os microrganismos do oceano morrem e os seus esqueletos juntam-se ao material do fundo do mar material esse que eventualmente vai se transformar em rocha sedimentar a que chamamos calcário.
      O arenito, o xisto argiloso e o calcário são as formas mais comuns de rocha sedimentar.
      As rochas ígneas e sedimentares são constantemente recicladas. Na superfície, são erodidas e formam novos sedimentos. Mas, se forem enterradas em profundidade podem ocorrer alterações ainda mais interessantes. O calor, a pressão e o tempo podem fazer com que os átomos de uma rocha se rearranjem em novos materiais mais densos. A grafite converte-se em diamante se estiver enterrada a 160 quilômetros de profundidade. As rochas que foram alteradas depois da sua formação são chamadas rochas metamórficas. Estas rochas contam histórias fantásticas sobre as condições nas profundezas da Terra. Sob a coação da colisão das placas tectônicas camadas de calcário transformam-se em mármore enquanto que o xisto argiloso se transforma em xisto e em cristais de granada e outros minerais de altas pressões.
      Quando estes materiais chegam à superfície começam a sofrer erosão e a formar novos sedimentos e o ciclo inicia-se novamente.

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